Testando, um, dois, três!!!


domingo, 31 de julho de 2016

Crônica 4  - 31/07
Olé!


Uma filha muito atentada era o que minha mãe dizia ter. Não sei se concordo, mas as histórias dela me fazem rir muito das coisas que fiz. Uma delas foi no bar de Seu Waldir.
Na época, ainda não era um bar, acho que era mais um restaurante, tendo em vista que os acontecimentos ocorreram quando meu pai e minha mãe lá estavam comendo (almoçando). Das minhas memórias próprias, lembro-me de lá como um bar. Um bar que hoje não existe mais.
Para ir para a venda do meu pai, precisava passar lá em frente. Passei lá muitas vezes durante todos esses anos. A impressão que montei, ao longo desses anos, é de um bar espaçoso, de portas marrons e que não tinha muitos produtos – tendo em vista a venda de pai, realmente lá não tinha muitos produtos – mas tinha sinuca, e pai nunca teve sinuca
.
Bem, imagino eu que devia ser um dia de domingo agradável, no qual esses pais recém-casados iam passear e almoçar fora com sua filhinha. Também imagino que tudo corria até bem, meu pai e minha mãe almoçando fora, lá no Seu Waldir.
E... voilà! Tudo corria bem... até que... o forro que cobria a mesa moveu-se, a partir das minhas mãos miudinhas, que o puxaram até que tudo fosse ao chão! T-U-D-O!!!! Comida, bebida, prato!
Tudo voou, voou até atingir o bendito chão!
Será que eu achei que iria puxar o forro e as coisas ficariam sobre a mesa, sem cair? Daquele jeito que os mágicos fazem?
Se era esse o desejo, deu errado! E bem errado! Até hoje minha mãe reclama que era impossível sair comigo! Muito danada! Muito danada, impossível!!!

Crônica 3 - 29/07/2016 - O armário e o rádio





Dentre as memórias, tão distantes no tempo, uma parte é recontada por outros, mas outra é minha. Qual tanto elas e eu tenho de verdade e imaginação, não sei. O tempo passou e, quando ele passa, tudo tende a virar verdade.
Todavia, o material guarda provas e contra provas não há argumentos. Somente fatos. O rádio prova isso. Dentro do armário da sala de casa, há um antigo rádio toca fitas. Um rádio toca fitas guardado e sem uso, provavelmente há 28 anos. O motivo do desuso é óbvio: ele não funciona mais. Já não imprime ondas sonoras no ar. Calou-se.

Mas os motivos que o calaram, aliás, o motivo é peculiar. sei que ele ele já cantou muito e me embalou os quadris pueris. Tocava a Xuxa... Sim... a nova Hebe Camargo das segundas à noite da Record! Era um hilarilarie oh, oh, oh, repetidas, infinitas vezes. Repetidas e infinitas vezes. Repetidas e infinitas vezes.
Mas foi numa brincadeira de índio que nunca mais cantou. Ao invés de Xuxa cantar alto, ele começou a sentir um barulho diferente... não era xu, xu, xu, xa, xa, xa. Era Xiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii.xixi.
Por que cargas d'água eu fiz xixi nele, não sei. Acho até hoje que eu estava dançando em torno dele, como sempre e, na dança do índio, quis fazer chuva!... Phillips calou-se. E calado está até hoje.
Mas o barulho naquela época não vinha somente do rádio. Vinha também das panelas que rolavam do armário de três portas da cozinha... Naquela época era um costume rotineiro eu entrar pela primeira porta dele e sair pela terceira... Panelas rolavam, minha mãe fazia almoço irada, mas eu, eu imaginava que estava desfilando!!!Desfilando?!?!?!?!?
Amassadas, as panelas sobreviveram.
Phillips, calado, também.

quinta-feira, 28 de julho de 2016


Crônica 2 - 28/07:O homem do saco preto

Quer dizer... do carro preto!!!

Desde ontem, borbulhou a minha cabeça em busca de uma história que rememorasse meus primeiros anos de vida. Como escrever sobre uma fase da qual nada me lembro? Uma fase na qual estava envolta de pessoas cuidando de mim e de meu bem estar, mas que, infelizmente nem eu e nem vocês se lembram (da de vocês). Gostaria de me lembrar do que me fazer rir escandalosamente, como os bebês riem.

Você diz “blublublu” inúmeras vezes, repetidamente, e eles disparam o motor do riso de modo tão infinito que parecem que vão se desfazer em risos, lágrimas-risos.

Apesar de a memória daquele momento não mais existir, elas ecoaram em minha mente, pelas vozes daqueles que me amavam e que cuidavam de mim. Uma delas, que ocorreu em torno do meu um ano de idade, fez a minha mãe desesperar-se.

Era comum, nas cidades do interior, as lendas urbanas sobre raptos de crianças para o mercado negro de órgãos, adoção, e por aí vai. Quem é de cidade pequena lembra: havia épocas que dava seis horas da noite, escurecia, se um carro preto passasse, era motivo de pânico geral entre a galerinha. Era o carro preto, que passava devagarzinho e sequestrava as criancinhas para a retirada dos seus preciosos órgãos.

Tinha também o homem do saco, os andarilhos que sempre de vez em quando apareciam para assustar a galerinha. Mas eu, particularmente, tinha medo do carro preto.

Pois é, numa bela noite, na qual eu dormia feliz com meus pais em sua cama, uma sensação rompeu o sono de minha mãe e a fez acordar. Ela olhou para o cantinho que eu dormia, e eu não estava lá.

Minha mãe havia sofrido uma forte hemorragia quando nasci. Quase morreu. Teve muito enjoo quando estava grávida de mim. Apesar disso tudo que passou, naquele momento, eu era o seu bem mais precioso e havia desaparecido.

Assim, um grito deve ter acordado meu pai de seu pesado sono. Eu tinha sumido, tinha sumido, onde estava eu? Acho que o desespero era porque naquela época eu nem andava direito ainda, ainda mais, descer de uma cama! Onde estava eu, onde eu estava?

O guarda-roupa foi revirado, a casa vasculhada, os cômodos, tudo! Onde estava eu?
Desespero.

Desespero inesperado. O esperado! Estava eu escondidinha, debaixo da cama, dormindo o meu gostoso soninho. Nada, nada preocupada. Será que caí? Como fui parar lá? Não sei... Mistério.

Foi um alívio para os meus pais me encontrarem. Nenhum carro preto ou homem do saco havia me levado. Mas a partir daí sabiam, estava para vir um ser atrevido e levado!


Deu uma aflorada, mas foi essa a história que minha mãe me contou.




quarta-feira, 27 de julho de 2016

Preâmbulo?

Faltam 30 dias para os meus 30 anos.
São três décadas. São várias vidas que vivi em uma única. São muitos momentos que esqueci e outros os quais não me esquecerei jamais.

Às 2:50 do dia 27 de agosto, dia ímpar, à gosto de Deus, nasci. Filha primogênita de Seu Elpídio e Dona Antônia, venci a minha primeira batalha: ser a Usain Bolt dos espermatozoides, aquela, diferentona, que iria por nove meses habitar um útero.

Imagino que, naquele casal, após exatos 9 meses de casamento – acreditem! – havia uma expectativa muito grande. Um amor incondicional e uma responsabilidade que segue até os dias de hoje.

Pergunto-me sempre por que vim. Por que eu, do jeito que sou, com minhas vontades, minhas tristezas, minhas alegrias e, principalmente, os meus sonhos. Por que eu que tenho a possibilidade de habitar este mundo num período de cerca de 100 anos e, um dia, deste período, morrer, como muitos que já se foram.

À beira dos trinta, é estranho perceber que você não pode mais ser uma criança. Sentir suas mãos pequenas, a pela sedosa, e ver, pouco a pouco, as roupas não cabendo mais, os chinelos se perdendo.

À beira dos trinta também não se pode mais viver a adolescência. Inclusive, os planos que ela trazia e que também já se passaram.

Destes 30% gastos e que não voltam mais, é preciso repensar os anos que se seguem. O que ser, como ser, com quem ser. Já não temos/tenho todo o tempo do mundo, como dizia Renato.

Propus-me a escrever, durante estes 30 dias, uma reflexão por dia. Assim, 30 textos que irão me expor. O que me assusta. 30 reflexões que gostaria de chamar de crônicas.


Vamos ver no que dá!