Testando, um, dois, três!!!


quinta-feira, 28 de julho de 2016


Crônica 2 - 28/07:O homem do saco preto

Quer dizer... do carro preto!!!

Desde ontem, borbulhou a minha cabeça em busca de uma história que rememorasse meus primeiros anos de vida. Como escrever sobre uma fase da qual nada me lembro? Uma fase na qual estava envolta de pessoas cuidando de mim e de meu bem estar, mas que, infelizmente nem eu e nem vocês se lembram (da de vocês). Gostaria de me lembrar do que me fazer rir escandalosamente, como os bebês riem.

Você diz “blublublu” inúmeras vezes, repetidamente, e eles disparam o motor do riso de modo tão infinito que parecem que vão se desfazer em risos, lágrimas-risos.

Apesar de a memória daquele momento não mais existir, elas ecoaram em minha mente, pelas vozes daqueles que me amavam e que cuidavam de mim. Uma delas, que ocorreu em torno do meu um ano de idade, fez a minha mãe desesperar-se.

Era comum, nas cidades do interior, as lendas urbanas sobre raptos de crianças para o mercado negro de órgãos, adoção, e por aí vai. Quem é de cidade pequena lembra: havia épocas que dava seis horas da noite, escurecia, se um carro preto passasse, era motivo de pânico geral entre a galerinha. Era o carro preto, que passava devagarzinho e sequestrava as criancinhas para a retirada dos seus preciosos órgãos.

Tinha também o homem do saco, os andarilhos que sempre de vez em quando apareciam para assustar a galerinha. Mas eu, particularmente, tinha medo do carro preto.

Pois é, numa bela noite, na qual eu dormia feliz com meus pais em sua cama, uma sensação rompeu o sono de minha mãe e a fez acordar. Ela olhou para o cantinho que eu dormia, e eu não estava lá.

Minha mãe havia sofrido uma forte hemorragia quando nasci. Quase morreu. Teve muito enjoo quando estava grávida de mim. Apesar disso tudo que passou, naquele momento, eu era o seu bem mais precioso e havia desaparecido.

Assim, um grito deve ter acordado meu pai de seu pesado sono. Eu tinha sumido, tinha sumido, onde estava eu? Acho que o desespero era porque naquela época eu nem andava direito ainda, ainda mais, descer de uma cama! Onde estava eu, onde eu estava?

O guarda-roupa foi revirado, a casa vasculhada, os cômodos, tudo! Onde estava eu?
Desespero.

Desespero inesperado. O esperado! Estava eu escondidinha, debaixo da cama, dormindo o meu gostoso soninho. Nada, nada preocupada. Será que caí? Como fui parar lá? Não sei... Mistério.

Foi um alívio para os meus pais me encontrarem. Nenhum carro preto ou homem do saco havia me levado. Mas a partir daí sabiam, estava para vir um ser atrevido e levado!


Deu uma aflorada, mas foi essa a história que minha mãe me contou.




Nenhum comentário:

Postar um comentário